Impressionante como as atividades nunca acabam nessa cidade colorida. A trupe continuava unida em Chiang Mai: Isis, eu e James, nosso amigo francês.
Pegamos o costumeiro meio de locomoção, o tuc tuc, e seguimos para o Maesa Elephant Camp.
- Que parque pacífico! As paisagens são lindas – suspiro.
Era muito bom sentir o vento no rosto e o cheiro de mata verde. Sentia-me com a alma livre, apesar de um pouco receosa, sobre o que sentiria ao ver os elefantes. No último contato que tive com os paquidermes em Ayuthaya, chorei ao vê-los mal tratados e obrigados a fazer show para turistas. Sei que sou exigente no que diz respeito ao cuidado com os animais, sinceramente, eu sofro. Estudei veterinária, tenho seis cachorros amados e não hesito em parar o carro para socorrer qualquer animal ferido. Não consigo entender e nem admitir maus tratos aos animais.
MAESA ELEPHANT CAMP
O Maesa Elephant Camp é um lugar que me surpreendeu. E vai ficar guardado na minha memória e no meu coração para sempre.
O parque, um dos maiores campos de elefantes do norte da Tailândia- a 20 minutos de Chiang Mai, fica no meio da floresta de Mae Sa Valley. Ali, uma grande família de elefantes mora, lado a lado, com seus treinadores, lá chamados de mahouts.
A filosofia do campo é criar uma interação natural e saudável entre o trabalho e a preservação da espécie, que continua diminuindo radicalmente no continente asiático.
O campo existe há 30 anos e mantém 78 elefantes. Um exemplo de preservação da espécie, desenvolvimento das habilidades e potenciais dos animais, cuidados veterinários e turismo sustentável.
Enquanto eu comprava os bilhetes, aproveitava pra interrogar a recepcionista:
- Tem algum bebe elefante aqui?
- Tem sim. Um de três dias. – me responde sorrindo
- Três dias? Onde está ele? – era a primeira coisa que queria ver ao entrar no campo.
Ela me mostra no mapinha colorido, aproveitando pra nos explicar sobre horários de shows e de banho dos elefantes.
Adorei o clima do campo. Com um riozinho relaxante cortando a propriedade e muito verde. Visitantes relaxavam sentados nas pedras no meio do riacho, enquanto outros passeavam nas costas dos lentos e gigantes elefantes.
- Como são lindos! – falamos em coro.
Amo os elefantes! Fico impressionada com sua força, sensibilidade e principalmente com sua inteligência. Noto se estão felizes ou não através de seus olhares. Aqueles olhos cor de caramelo me apaixonam!
Os elefantes ficam doidos quando vêem bananas e cana de açúcar. Compramos um punhado delas para estreitarmos o contato físico tão amigável com esses gigantes cinzentos e cabeludos. Sim, eles têm uns cabelos arrepiados que pinicam nossas mãos.
As experiências mais incríveis que tive com os elefantes estavam começando. Um macho muito alto roubou um cacho de bananas da minha mão. Achando isso muito engraçado, começo a provocá-lo com um talo de cana pra que ele chegue perto da nossa câmera. Ele, adorando a brincadeira, passou a dar “beijinhos” na ponta do meu nariz com a pontinha de sua tromba. Era tão delicado e com tanto senso de humor! Foi um dos mais lindos beijos que já recebi. Na ponta do nariz.
Caminhamos mais um pouco rumo ao berçário do bebe elefante e vimos alguns adultos tomando banho. Os mahouts carinhosamente esguichavam água em seus animais, conversando com eles e fazendo “cafuné” com uma grande escova. Os paquidermes relaxavam, fechando seus olhinhos…
Mais alguns passos e entramos no berçário. Um bebezão mamava em sua mãe, que tranquilamente apreciava sua ração de grama. Ao lado, vejo uma figurinha baixinha, com os olhos avermelhados e a maior cara de sono que já vi! Um bebe elefante de três dias!
- Que coisinha mais fofa! Olha a cara de sono dele! – comento com a Isis
- Olha! Ele tem pelo de bebê sobre o couro! – me responde
Ficamos um bom tempo admirando essa bebezinha tão diferente. Chama-se Meena, uma menina. Nasceu com 85 quilos e 80 centímetros de altura.
CUIDADOS VETERINARIOS
O campo oferece uma alimentação excelente e se certifica das condições sanitárias, além dos tratamentos que aplicam para que os animais fiquem mais fortes mentalmente e fisicamente.
Para seus 78 elefantes, são necessárias por dia, seis toneladas de grama, banana, cana de açúcar e uma combinação de ervas especiais!
A cada dois anos, os elefantes recebem uma suplementação alimentar e vacinação.
Pra ficar de olho na saúde e bem estar dos animais de uma maneira mais íntima e constante, o campo providencia que cada mahout cuide de seu próprio elefante. Eles recebem treinamento de primeiros socorros, informações sobre os sintomas das doenças e assim, ajudam o veterinário a cuidar dos paquidermes.
O campo é referencia e campo de estudos para diversas faculdades e centros técnicos veterinários do mundo todo.
FUNDAÇÃO DO MAESA ELEPHANT CAMP
Os elefantes asiáticos foram constantemente usados pelo homem para transporte, na construção de casas e muros e nas longas e duras batalhas de guerra. No século XX, existiam cem mil elefantes na Ásia. Hoje, não são mais do que cinco mil.
No início, o Maesa era apenas um lugar onde alguns elefantes apresentavam shows. Choochart Kalmapijit reconheceu a incrível inteligência dos elefantes e fundou a Maesa Camp, em 1976. Ao longo dos anos, passou a recolher animais de todo o país, assim como empregando os mahouts locais e outros experts no trato com os elefantes. Melhorou a reputação do campo e ajudou no futuro da conservação da espécie.
DIA TAILANDÊS DO ELEFANTE
Dia 13 de março, foi instituído como o Dia do Elefante. No Maesa, um verdadeiro Buffet é servido à eles. É uma alegria só ver dúzias e dúzias de elefantes coloridos, felizes, brincando com as crianças, que tem entrada gratuita.
ELEFANTES ARTISTAS
Após essa imersão na cultura dos paquidermes, vamos ao show!
Fui rapidamente para a arena onde a exibição iria acontecer, pra garantir um lugar com ângulo privilegiado pras fotos. O show começou. Uns vinte elefantes com seus mahouts desfilavam nos dando as boas vindas. Pareciam tão felizes! Os mahouts quase nem os tocavam… Era como se estivessem realmente se exibindo pra nós, que aplaudíamos sorridentes. É impossível ver um elefante de perto e não sorrir!
O entretenimento continuou por mais uma hora. Jogaram futebol, dançaram, tocaram instrumentos. Meu coração estava em paz. Senti que eram felizes ali.
O ponto alto do show, sem duvida, foi dos elefantes-pintores. Impressionante! Oito elefantes são posicionados em frente a telas e sozinhos, imprimem maravilhas naqueles papeis, antes sem vida. Muitas delas em exposição em diversas galerias do mundo todo. Após poucas pinceladas, se transformam em verdadeiras obras de arte.
Os nomes dos artistas são: Kong Kum, Wanpen, Kamsan, Lankam, Duan pen, Songpun, Punpetch e Pu Ood.
O elefantinho que pintava a minha frente parecia envergonhado, passando a tromba na cabeça e pondo dentro da boca enquanto seu mahout trocava a tinta do pincel. Uma graça!
O resultado: obras lindíssimas, extremamente sensíveis que rapidamente são arrematadas pelos turistas.
Voce pode ver a galeria e as fotos dos artistas no link: http://www.gallerymaesa.com/
NÃO VIVO MAIS SEM OS ELEFANTES
No final da apresentação, alguns elefantes brincavam com o público tirando seus chapéus, roubando máquinas e notas de dinheiro que entregavam ao seu mahout.
James, que carregava seu violão, se posiciona ao lado de um grande macho e começa a dedilhar uma melodia perto de suas enormes orelhas. Fico completamente entretida com aquela cena. O elefante olha pro James, fixamente. Sua tromba esta erguida acima da cabeça. De repente, como se nada mais importasse, o elefante relaxa sua tromba e começa a balançar sua cabeça, dançando, delicadamente ao som do violão. Ninguém estava dando comandos. O elefante estava mesmo gostando da música. Após alguns minutos nesse deleite visual, vejo James parando de tocar e encostando sua mão na pata do elefante, em um carinho. O elefante, lentamente, acaricia a mão de James, devolvendo o afeto.
Essa cena me emocionou de imediato! Lágrimas escorreram pelo meu rosto. Sei que sou mulher e acabo sendo meio “manteiga derretida”, mas vários marmanjos que estavam por perto também não conseguiram se conter.
Jamais me esquecerei!
Parabéns ao Maesa Elephant Camp!
http://www.maesaelephantcamp.com
Amanhã, vamos visitar algumas tribos, entre elas a das “Mulheres-girafas”! Não percam! Enquanto isso, a receita tailandesa do dia é:
DEEP FRIED BANANA
INGREDIENTES:
- 4 bananas ou batatas doces
- 200 g de polpa de coco
- 1 colher de sopa de semente de gergelim
- 1 colher de sopa de sal
- 1 colher de sopa de açúcar
- 100 g de farinha de arroz
- 50 g de farinha de trigo
- 1/2 copo de água
- 1 1/2 copo e meio de óleo de palma (pode ser substituído pelo de sua preferência)
COMO FAZER:
- Descasque as bananas e corte cada uma em três pedaços
- Misture as farinhas, a água, o sal, o açúcar, o coco ralado e o gergelim.
- Empane a banana nessa mistura
- Frite-as no óleo, em fogo médio, até que fiquem douradas.
DICA:
- De preferência as bananas mais verdes